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NOTA DIOCESANA SOBRE A POSIÇÃO DA IGREJA REFERENTE À IDEOLOGIA PARTIDÁRIA



“Mestre, dize ao meu irmão que reparta a herança comigo. Jesus respondeu: Homem, quem me encarregou de ser juiz ou arbitro entre vós?” (Lc 12, 13-14)


Jesus nunca quis se substituir a liberdade e à responsabilidade das pessoas, mas quis oferecer os critérios para enfrentar todos os aspectos da vida a partir do relacionamento com Ele, Caminho, Verdade e Vida.


É importante neste momento tão delicado reconhecer que o que temos de mais precioso e caro é a pessoa de Jesus pois n`Ele podemos superar os antagonismos que fragilizam a unidade.


A nossa esperança não está na política ou em projetos puramente humanos, que antes ou depois são destinados a fracassar, como aconteceu com a torre de Babel (Gn 11, 1-9)


A partir da nossa experiência percebemos que a força da vida e da sociedade é encontrar pessoas que levam a sério o desejo de verdade, de justiça, de beleza. Um desejo que pode ser transmitido às gerações sucessivas e permanece na história através da valorização e defesa da liberdade.


Neste sentido, não podemos desconsiderar o discurso do Santo Padre, o Papa Bento XVI quando esteve em Aparecida no 2007:


“O trabalho politico não é competência imediata da Igreja. O respeito de uma sadia laicidade junto com a pluralidade das posições politicas é essencial na tradição cristã. Se a Igreja começar a se transformar diretamente num sujeito político, não faria mais pelos pobres e pela justiça, ao contrário, faria menos, porque perderia a sua independência e a sua autoridade moral, identificando-se com uma única via politica e com posições parciais opináveis. A Igreja é advogada da justiça e dos pobres, exatamente para não se identificar com os políticos nem com os interesses políticos. Somente sendo independente pode ensinar os grandes critérios e os valores inderrogáveis, orientar as consciências e oferecer uma opção de vida que vai mais além do âmbito político.”


Assim sendo, podemos nos perguntar sobre quais são os principais critérios que a Igreja nos apresenta para serem levados em conta na escolha dos candidatos?


Nos últimos dias a CNBB na sua mensagem ao povo brasileiro aos 29 de abril de 2022, por ocasião do processo eleitoral em nosso país, assim se expressou:


“Conclamamos toda a sociedade brasileira a participar das eleições e a votar com consciência e responsabilidade, escolhendo projetos representados por candidatos e candidatas comprometidos com a defesa integral da vida, defendendo-a em todas as suas etapas, desde a concepção até a morte natural. Que também não negligenciem os direitos humanos e sociais, e nossa casa comum onde a vida se desenvolve”.


Sabemos que todas as propostas são parciais, por isso não cabe a nós julgar ou condenar, mas oferecer os pontos essenciais a fim de que seja realizado o verdadeiro bem comum.


Nossa Senhora Aparecida, padroeira do nosso amado Brasil, interceda e nos acompanhe no caminho da unidade valorizando a pluralidade.


Dom Guido Zendron

Bispo da Diocese de Paulo Afonso